Você já parou para olhar o mapa do mundo e percebeu como a Espanha e o Marrocos estão pertinho um do outro? Parece que dá para atravessar nadando ou que bastaria uma ponte pequena para ligar os dois continentes. Na verdade a distância é de apenas quatorze quilômetros. Isso é menos do que muita gente anda para ir ao trabalho todo dia em cidades grandes. Então por que raios ninguém nunca fez uma ponte ali para ligar a Europa com a África? O segredo por trás dessa obra que nunca sai do papel envolve perigos que a gente nem imagina quando olha para o mar azul daquela região.
Você não vai acreditar mas o buraco é muito mais embaixo do que parece. Muita gente acha que é só falta de dinheiro ou preguiça dos governos mas a verdade é que a natureza parece não querer essa ponte de jeito nenhum. Se essa ligação existisse ela ia mudar a vida de quase dois bilhões de pessoas. Seria um formigueiro de gente passeando e fazendo negócios entre os dois lados. O turismo ia explodir e a Espanha que já recebe gente do mundo todo ia ficar ainda mais lotada. Mas então qual é o mistério que impede os engenheiros de colocar os pilares nesse pedaço de mar?
O fundo do mar é um verdadeiro pesadelo para os engenheiros
O primeiro grande problema é que o Estreito de Gibraltar é um dos lugares mais fundos e perigosos do planeta. Enquanto em outras pontes famosas o mar é rasinho ali a profundidade passa dos novecentos metros em vários pontos. Para você ter uma ideia isso é quase o tamanho de três prédios gigantes um em cima do outro debaixo da água. Não existe tecnologia fácil para fincar um pilar em um lugar tão fundo assim sem que a pressão da água esmague tudo. Além disso o chão lá embaixo não é firme pois é feito de uma lama argilosa que balança e não aguenta peso.
Outra coisa assustadora é que a terra ali não para quieta. A região fica bem em cima do encontro de placas gigantes que formam a crosta do mundo. É como se dois caminhões estivessem se empurrando o tempo todo. Isso causa terremotos muito fortes. Já teve tremor lá que destruiu cidades inteiras e causou ondas gigantes no passado. Imagina construir uma ponte caríssima e um terremoto derrubar tudo como se fosse um castelo de cartas. É um risco que ninguém quer correr e o custo para fazer algo que aguente esses trancos é um absurdo de caro.
O trânsito de navios e os ataques de animais selvagens
Se o fundo do mar já é um problema a parte de cima não ajuda em nada. Aquele pedacinho de mar é como se fosse a avenida mais movimentada do mundo para os navios. Passam por lá mais de cento e vinte mil barcos gigantes todo ano. É muito mais movimento do que no famoso Canal do Panamá. Para a ponte não atrapalhar esses navios ela teria que ser absurdamente alta. Teria que ser uma das construções mais altas da história da humanidade e isso em um lugar onde venta muito forte e o mar é agitado.
E como se não bastasse a briga com a engenharia agora apareceu um problema que ninguém esperava. Desde o ano de dois mil e vinte um grupo de baleias orcas resolveu atacar os barcos que passam por ali. Já foram centenas de incidentes com barcos tendo o leme quebrado e alguns até afundaram. A natureza parece estar enviando um recado de que aquele espaço pertence aos animais e não aos humanos. Junte isso com as brigas entre os países para decidir quem manda em qual pedaço e você tem a receita perfeita para o projeto ficar parado na gaveta por décadas.
As ideias malucas para tentar unir os dois continentes
Como a ponte parece impossível muita gente começou a inventar moda. Já deram ideia de fazer um túnel por baixo da terra igual aquele que liga a França com a Inglaterra. Mas o problema do túnel é que ele teria que ser muito fundo por causa da profundidade do mar e o trajeto ficaria gigante e perigoso demais. Outros gênios da engenharia sugeriram criar ilhas artificiais no meio do caminho ou até pontes que flutuam sobre a água mas nada disso passou de desenhos no papel.
Existe até um plano de criar uma ilha que funcionaria como um posto de gasolina de energia limpa usando a força dos ventos e das ondas. Seria incrível mas o preço para tirar isso do papel é de bilhões e bilhões de dólares. Enquanto os países não entrarem em um acordo total e a tecnologia não avançar para vencer a lama do fundo do mar e os terremotos a gente vai continuar olhando para o mapa e sonhando com essa travessia de apenas quatorze quilômetros que parece estar a anos luz de distância da realidade.
