Pode esquecer aquela história de que o que você gasta no cartão de crédito é problema só seu e do banco. O jogo mudou e o cerco da Receita Federal ficou muito mais apertado. Se você é do tipo que vive emprestando o cartão para o primo comprar celular ou para o vizinho mobiliar a casa, é melhor ligar o sinal de alerta agora mesmo. A mamata de movimentar valores altos sem prestar contas está com os dias contados, porque os bancos e as operadoras de cartão já estão entregando tudo de bandeja para o Leão.

Antigamente, a fiscalização era mais lenta e focada em quem movimentava milhões. Só que a tecnologia evoluiu e a Receita Federal atualizou o sistema de cruzamento de dados. Agora, com a tal da e-Financeira, o papo é reto: movimentou mais de 5 mil reais no mês sendo pessoa física, ou 15 mil reais sendo empresa, o seu nome entra no radar. E não pense que é só o banco tradicional que fofoca para o governo. As maquininhas de cartão, as carteiras digitais e até as fintechs entraram na jogada.

H2 Por que emprestar o cartão pode destruir o seu CPF

Muita gente faz um favor para um familiar e acaba se metendo em um buraco sem fundo. Para o governo, não importa se foi o seu irmão que pagou a fatura. Se o cartão está no seu CPF, o gasto é seu. Se você ganha 3 mil reais por mês, mas a sua fatura do cartão bate 7 mil todo mês porque você empresta para terceiros, o sistema da Receita vai dar um alerta vermelho na hora. Eles vão olhar para a sua cara e perguntar: como esse sujeito gasta mais do que ganha?

Esse é o caminho mais curto para cair na malha fina. E o pior é que provar que o dinheiro era de outra pessoa dá um trabalho danado. Se o reembolso que você recebe não for feito de forma clara, como um Pix identificado, fica quase impossível convencer o fiscal de que você não está escondendo renda. Receber dinheiro vivo de quem usou seu cartão é o pior dos mundos, porque não deixa rastro e a Receita vai tratar esse valor como lucro não declarado. É multa em cima de multa e uma dor de cabeça que não acaba mais.

Para quem trabalha por conta própria ou tem um pequeno negócio, o cuidado precisa ser dobrado. Misturar a conta pessoal com a conta da empresa é pedir para ter problema. O governo está de olho em quem recebe pagamentos digitais e não emite nota fiscal. O cruzamento é automático e implacável. Se a sua movimentação bancária e os seus gastos no cartão não batem com o que você colocou na declaração do Imposto de Renda, você vira alvo preferencial.

Não estou dizendo que você vai ser preso amanhã só porque comprou uma televisão parcelada. O foco da Receita são as inconsistências grandes e que se repetem todo mês. Eles querem pegar quem usa o cartão para lavar dinheiro ou para ocultar o que realmente ganha. Só que, no meio desse tiroteio, o cidadão comum que é desorganizado acaba levando chumbo de graça. A regra de ouro agora é organização total. Guarde cada comprovante, evite ao máximo passar compras de outras pessoas no seu nome e mantenha sua vida financeira o mais limpa possível.

O tempo de achar que o governo é bobo passou. Hoje em dia, o sistema deles é um robô gigante que lê tudo em segundos. Se você não quer ser chamado para dar explicações chatas e pagar impostos retroativos com juros astronômicos, comece a vigiar seu CPF como se fosse um tesouro. No fim das contas, a transparência é o único jeito de não ser atropelado pelo Leão. Fique esperto, porque o rastro digital que você deixa no cartão de crédito é mais fiel do que qualquer declaração que você escreva.

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