Parece que a gente não tem um minuto de paz quando o assunto é doença nova aparecendo no noticiário. Agora o nome da vez é o vírus Nipah. Eu sei que muita gente já fica com o pé atrás só de ouvir falar em surto na Ásia, e não é para menos. O problema é que esse bicho não é brincadeira e a forma como ele chega na gente é bem mais comum do que parece. Não precisa ser nenhum cientista para entender que o contato com a natureza está ficando cada vez mais bagunçado e quem paga a conta somos nós.
Fiquei impressionado com a capacidade desse vírus de se esconder. Ele vive nos morcegos que comem frutas, e esses bichos nem ficam doentes. O morcego está lá, vivendo a vida dele, comendo uma fruta aqui e ali, e acaba deixando o vírus na saliva ou no xixi. Aí o porco come o resto da fruta ou a gente toma um caldo de cana ou um suco de palma que foi contaminado e o estrago está feito. É um caminho curto e perigoso que mostra como a nossa segurança alimentar é frágil em muitos lugares.
Como essa doença engana todo mundo no começo
O que mais me preocupa nesse vírus Nipah é que ele começa parecendo uma bobagem. O sujeito acorda com febre, uma dor de cabeça chata e aquela dor no corpo que todo mundo acha que é só uma gripe ou que dormiu de mau jeito. É aí que mora o perigo. Como os sintomas são comuns, a pessoa continua circulando, indo trabalhar e acaba passando para os outros sem nem desconfiar. O vírus ganha tempo para se espalhar enquanto o paciente acha que é só um mal-estar passageiro.
Só que o negócio escala rápido. Em pouco tempo, o que era uma febrinha vira uma confusão mental braba. O cara começa a ficar sonolento, desorientado e pode até entrar em coma. É uma inflamação no cérebro que não dá muita chance de reação se não tiver um hospital de ponta por perto. E para piorar a situação, ele também ataca o pulmão, deixando a respiração pesada. É um ataque duplo que deixa qualquer um de cara com a agressividade desse bicho.
Infelizmente, a gente ainda não tem uma vacina pronta para tomar na farmácia e nem um remédio certeiro que mata o vírus de vez. O tratamento hoje é na base do suporte, ou seja, levar para a UTI e torcer para o corpo aguentar o tranco com a ajuda dos aparelhos. Isso é o que mais assusta, porque mostra que a medicina ainda está correndo atrás do prejuízo contra esse tipo de ameaça. Se o surto cresce, o sistema de saúde trava porque o cuidado que o paciente exige é muito alto.
A solução imediata passa por mudar alguns hábitos simples, mas que muita gente ignora. Lavar bem as frutas é o básico do básico, mas o pessoal esquece. Outra coisa importante é evitar consumir produtos artesanais de origem duvidosa em áreas de risco. Se a fruta está com marca de mordida de bicho, joga fora na hora, não tenta aproveitar. É melhor perder uma maçã do que ganhar uma encefalite. O cuidado com a higiene pessoal e o distanciamento de animais doentes são as únicas armas que a gente tem agora.
Olhando o cenário geral, a gente percebe que o mundo está muito conectado. O que acontece lá do outro lado do oceano pode chegar aqui mais rápido do que a gente imagina. Por isso, ficar de olho nessas notícias não é paranoia, é sobrevivência. A vigilância tem que ser constante e os governos precisam investir pesado em saneamento e controle de animais. Não dá para esperar uma nova crise mundial para começar a se mexer. O vírus Nipah é um aviso claro de que a natureza tem suas regras e, se a gente vacilar, o prejuízo é certo.
Precisamos ser práticos e manter a guarda alta. Não é para sair correndo desesperado, mas sim para ter consciência de que a prevenção é o que salva vidas. Ficar bem informado e manter a higiene em dia já é meio caminho andado para não entrar em estatística ruim. O papo é reto, cuidem-se e não deem bobeira com o que colocam no prato.
Fontes e Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS) – https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/nipah-virus
- Ministério da Saúde do Brasil – https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/n/nipah
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – https://www.paho.org/pt/temas/virus-nipah
