Muita gente nem imagina, mas aquele sono pesado que bate logo depois do almoço não tem nada a ver com falta de vontade de trabalhar ou preguiça. Se você é do tipo que termina de comer e já começa a pescar, saiba que o seu corpo está apenas seguindo uma programação natural. A verdade é que existem processos biológicos sérios acontecendo dentro de você nesse momento e brigar contra eles é uma tarefa ingrata. Quando a gente coloca comida para dentro, o organismo entende que a prioridade mudou e o foco agora é transformar aquele prato de pedreiro em energia bruta.
A explicação para essa moleza começa pelo fluxo sanguíneo. Assim que você termina a última garfada, o seu corpo direciona uma quantidade enorme de sangue para o estômago e para os intestinos. O objetivo é ajudar na digestão e na absorção de tudo o que foi ingerido. Como o sangue é o que leva oxigênio para o resto do corpo, o seu cérebro acaba recebendo um pouco menos de atenção nesse período. Com menos oxigenação lá em cima, o estado de alerta cai na hora e o cansaço aparece.
A famosa maré alcalina e o papel do estômago
Outro ponto que pouca gente conhece é a chamada maré alcalina pós-prandial. Para digerir a comida, o estômago precisa produzir muito ácido clorídrico. Durante esse processo, o corpo acaba liberando bicarbonato no sangue para equilibrar as coisas. Isso deixa o sangue momentaneamente menos ácido, ou seja, mais alcalino. Quando esse sangue com pH alterado chega no sistema nervoso central, ele causa uma espécie de relaxamento forçado. É por isso que você sente os músculos mais soltos e uma vontade enorme de fechar os olhos por alguns minutos.
Além disso, o que você coloca no prato manda muito no tamanho do seu sono. Se você exagerar nos carboidratos simples, como arroz branco, macarrão, pão ou aquele doce de sobremesa, o seu corpo vai ter um pico de glicose. Para dar conta disso, o pâncreas libera muita insulina. O problema é que, depois desse pico, vem uma queda brusca de açúcar no sangue, e é justamente nesse tombo que a energia some de vez. Refeições muito gordurosas também são vilãs, porque a gordura demora muito mais para ser digerida e exige um esforço dobrado do sistema digestivo, mantendo você em modo de economia por mais tempo.
O relógio biológico também joga contra você
Não é só a comida que te derruba. O ser humano tem um ritmo circadiano, que é o nosso relógio interno de 24 horas. Naturalmente, entre 13h e 15h, o nosso corpo sofre uma queda na temperatura interna e na produção de hormônios que nos mantêm acordados. Ou seja, mesmo se você não comesse nada, ainda sentiria um leve cansaço nesse horário. O almoço apenas potencializa uma janela de sono que já existe naturalmente no nosso sistema. É um combo de biologia com hábitos alimentares.
Se você não pode tirar aquele cochilo de vinte minutos que seria o ideal para resetar o cérebro, o jeito é ser estratégico. Comer menos quantidade e apostar em proteínas e vegetais ajuda a evitar os picos de insulina. Outra dica prática é dar uma caminhada curta, de dez minutos, logo após comer. Isso ajuda o sangue a circular melhor e avisa o corpo que ele precisa continuar acordado. Beber água também é fundamental, já que a desidratação aumenta a sensação de cansaço. No fim das contas, entender como a máquina funciona é o primeiro passo para não se sentir culpado por algo que é puramente fisiológico.
Fontes e Referências
- Agência UFC – https://www.ufc.br/noticias/noticias-de-2017/9625-saiba-o-porque-da-sonolencia-apos-as-refeicoes
- Manual MSD – https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-cerebrais,-da-medula-espinal-e-dos-nervos/dist%C3%BArbios-do-sono/dist%C3%BArbios-do-sono-ligados-ao-ritmo-circadiano
- Superinteressante – https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-sentimos-sono-logo-apos-o-almoco/
