Gente, para tudo o que vocês estão fazendo agora porque eu ainda não consegui fechar a boca de tanto choque. Sabe aquele papo de que o dinheiro no Brasil não vale nada? Pois é, a gente sofre para pagar um boleto de luz e o quilo da carne está um absurdo. Mas eu acabei de ler uma parada que parece mentira, mas é a pura verdade. Imagine só você pegar mil euros, que dá uns seis mil reais mais ou menos, e chegar em um lugar onde esse valor vira trinta milhões. Isso mesmo, trinta milhões de dinheiros locais. Eu estou falando do Vietnã e de como a nossa moeda ou o euro podem fazer você viver como um rei de filme enquanto por aqui a gente mal consegue fazer a feira do mês.

É de cair o queixo pensar que o que a gente gasta em um fim de semana meia-boca em São Paulo ou no Rio de Janeiro pode pagar uma vida de luxo extremo do outro lado do mundo. O pessoal está indo para Hanói, que é a capital de lá, e fazendo coisas que a gente só vê no Instagram de herdeiro famoso. A primeira coisa que me deixou indignado foi o tal do hotel de ouro. Não é força de expressão não, pessoal. O lugar é todo banhado a ouro 24 quilates. Do lobby até a xícara de chá, tudo brilha. E sabe quanto custa? Uma fração do que você pagaria em um hotel fuleiro aqui no Brasil que nem café da manhã direito oferece.

Onde o luxo custa preço de banana

Aí você pensa que a mordomia para por aí, mas só melhora e a gente fica mais revoltado com a nossa economia. Os caras pegam uma limusine de luxo saindo do aeroporto por quarenta euros. Se você tentar fazer isso na Europa ou pegar um táxi especial em Congonhas, vai deixar um rim de pagamento. No Vietnã, o luxo é a regra para quem tem um pouquinho de dólar ou euro no bolso. É bizarro pensar que a gente trabalha o mês inteiro para pagar conta e lá, com a sobra de uma viagem, você vira patrão. Eles têm até um café que é famoso por lá, feito com gema de ovo. Parece estranho? Talvez. Mas custa menos de dez reais e é uma iguaria mundial.

Outra coisa que me deixou muito surpreso foi a tal da rua do trem. É um lugar onde o trem passa raspando nas mesas dos bares. O povo fica lá tomando uma cervejinha ou um café enquanto um gigante de ferro passa a centímetros. É adrenalina pura e custa quase nada. Enquanto isso, aqui no Brasil, se a gente quiser um pouquinho de emoção em um parque de diversão, tem que vender o carro para pagar o ingresso e o combo de pipoca. A diferença de poder de compra é tão grande que dá vontade de arrumar as malas agora mesmo e sumir no mapa.

Mas o que realmente me deu um nó na cabeça foi o tal do jantar com estrela Michelin. Para quem não sabe, esse é o prêmio máximo da comida no mundo. Comer em um lugar assim em Paris ou Nova York custaria o salário de três meses de um trabalhador comum. No Vietnã, o pessoal comeu entrada, prato principal de carne caramelizada e sobremesa em um restaurante premiado por três anos seguidos e a conta deu cerca de trinta euros. Isso dá uns cento e oitenta reais. Tem lugar aqui no bairro que cobra isso por uma pizza brotinho e um refrigerante quente. É ou não é para ficar louco com uma informação dessas?

E para fechar o pacote da ostentação com preço de saldo, tem o spa. O pessoal vai para esses centros de massagem super chiques, com banho de imersão e tudo o que tem direito, e paga um valor que não paga nem uma depilação simples por aqui. É uma humilhação atrás da outra para o nosso bolso brasileiro. Eles ainda fazem passeios de hidroavião para ver aquelas ilhas maravilhosas lá de cima. O avião pousa na água e te deixa na porta de um iate de luxo com mordomo particular. Um iate com piscina de borda infinita e campo de golfe dentro do barco. Tudo isso gastando o que um turista gasta para passar três dias em Gramado na alta temporada.

A gente fica aqui se matando, economizando cada centavo e vendo que o mundo é muito grande e cheio de oportunidades para quem sabe para onde olhar. Essa história do Vietnã serve para mostrar que ser rico é uma questão de geografia. Se aqui eu sou um assalariado que conta as moedas para o ônibus, lá eu seria o dono da lancha. É claro que a gente sabe que a realidade do povo local é outra, mas para quem vai passear, o Vietnã é o paraíso dos descapitalizados. Fica a dica para quem quer postar foto de patrão sem precisar ganhar na mega-sena. É só trocar os reais por dongs e aproveitar a vida de trilionário por alguns dias porque, sinceramente, a gente merece um pouco de sossego e luxo de vez em quando.

Compartilhar.