Muita gente me pergunta se esse tal de steel frame, aquela casa feita com esqueleto de aço e placas, realmente funciona aqui no Brasil ou se é conversa fiada de vendedor. A verdade é que a gente está acostumado com o tijolo e o cimento, e quando vê uma obra subindo rápido e sem aquele monte de areia e entulho, logo desconfia. Mas o papo aqui é reto. O sistema é muito bom, só que não é milagroso e tem uns detalhes que, se você ignorar, o barato sai caro e a dor de cabeça é garantida.
Eu andei olhando os números e a realidade das obras hoje em dia. O steel frame nada mais é do que uma construção industrializada. Em vez de você ficar dependendo do humor do pedreiro pra assentar tijolo por tijolo, a estrutura vem pronta da fábrica. É como um Lego gigante de aço galvanizado. Isso traz uma agilidade que a alvenaria nem sonha em ter. Uma casa que demoraria um ano pra ficar pronta no método antigo, no steel frame você levanta em quatro meses. Para quem paga aluguel ou quer ver o negócio pronto logo, isso é uma vantagem absurda.
Por que o aço está ganhando o lugar do tijolo
Mas vamos falar de dinheiro, que é o que importa. Se você olhar só o preço do material, o steel frame pode parecer mais caro. O aço e as placas cimentícias não são baratos. Só que a conta que o pessoal esquece de fazer é a do desperdício. Numa obra comum, você perde uns 20% de material em sobra, quebra e erro. No steel frame, o desperdício é quase zero. Além disso, a fundação é muito mais leve e barata porque a casa pesa pouco. No final das contas, o valor do metro quadrado acaba ficando bem parecido com a alvenaria de médio padrão, girando ali entre 2 mil e 3 mil reais, dependendo do acabamento que você escolher.
Outro ponto que o pessoal tem medo é o barulho e o calor. Tem gente que acha que a casa vai virar um forno ou que vai dar pra ouvir o vizinho espirrando. Isso é puro mito de quem não conhece o sistema. Quando o serviço é bem feito, com lã de vidro ou de rocha dentro das paredes, o isolamento térmico e acústico é até melhor que o do tijolo. O problema é que, no Brasil, tem muita gente querendo economizar onde não deve. Se o cara não colocar o isolamento certo ou usar placa vagabunda, aí sim a casa vira uma porcaria. É aí que entra o perigo da mão de obra.
A maior enrascada do steel frame no Brasil hoje é achar gente que saiba fazer. Não adianta chamar o pedreiro que só sabe bater massa e esperar que ele monte uma estrutura de precisão milimétrica. O steel frame exige técnica. Se o sujeito errar o tratamento das juntas das placas, sua parede vai rachar inteira em seis meses. Se ele não fizer a impermeabilização correta na base, a umidade vai subir e detonar tudo. Por isso, se você está pensando em entrar nessa, o primeiro passo é esquecer o ‘faz-tudo’ e procurar uma empresa que tenha nome e mostre obras prontas com mais de cinco anos de uso.
A manutenção também é um ponto que gera dúvida. Muita gente acha que o aço vai enferrujar. Se for aço galvanizado de qualidade e a obra for bem vedada, isso não acontece. A estrutura dura mais de 100 anos fácil. O cuidado é o mesmo de qualquer casa: ficar de olho em vazamentos e manter a pintura em dia. A vantagem é que, se você precisar consertar um cano, não precisa de marreta. É só abrir a placa, consertar e fechar de novo. Sem sujeira, sem quebra-quebra infinito.
No fim das contas, o steel frame vale a pena sim, mas apenas para quem tem planejamento. Se você quer uma obra limpa, rápida e com desempenho moderno, é o caminho. Agora, se você é do tipo que gosta de ir comprando o material aos poucos, mudando de ideia no meio da obra e contratando o mais barato da região, melhor ficar no tijolo mesmo. O aço não aceita improviso. É um sistema para quem quer eficiência e tem juízo com o próprio bolso. Se fizer direito, você terá uma casa melhor que 90% das construções vizinhas. Se fizer de qualquer jeito, vai ser o primeiro a se arrepender.
