Parei tudo o que estava fazendo hoje quando li mais uma daquelas promessas milagrosas sobre emagrecimento que circulam na internet. Como redatora que acompanha o mundo da saúde há anos, fico realmente impressionada com a força que alguns mitos ganham no nosso dia a dia. Parece que todo mundo quer uma fórmula mágica, um pozinho de pirlimpimpim ou um suco milagroso que resolva anos de má alimentação em apenas uma manhã. A bola da vez, ou melhor, a bola que nunca sai de cena, é a famosa água com limão em jejum. Eu sinto informar, mas se você está espremendo limão na água esperando que a gordura derreta sozinha, você está apenas perdendo tempo e ficando com os dentes mais sensíveis.

Fiquei atenta aos detalhes de uma explicação bem pé no chão dada pela nutricionista Monik Cabral e decidi que precisava compartilhar isso com vocês de um jeito que ninguém mais tenha dúvida. Eu sou defensora da verdade nua e crua e a realidade é que a água com limão ajuda sim na digestão, porque dá um empurrãozinho para o seu pâncreas e para a sua bile trabalharem melhor. Mas emagrecer? Não existe nenhum estudo sério que prove que o limão tenha esse superpoder de queimar calorias. O que emagrece de verdade é comer menos do que se gasta, o famoso déficit calórico, e não existe fruta cítrica no mundo que mude essa regra básica da matemática do nosso corpo.

O azeite no fogo e o medo bobo de cozinhar

Outra coisa que me deixou pensativa foi essa história do azeite. Eu mesma já ouvi de várias amigas que tinham medo de usar azeite para refogar o arroz ou a carne porque achavam que ele virava veneno no fogo. Vamos baixar a guarda aqui e entender uma coisa importante. O azeite de oliva, mesmo o extravirgem, aguenta muito bem as temperaturas normais do fogão de casa. Ele não vai se transformar em uma gordura trans perigosa só porque você fez um refogado. O que acontece, e aí sim é um fato, é que ele perde um pouco daquelas vitaminas e antioxidantes maravilhosos quando esquenta muito. Por isso, a dica de ouro é usar o azeite comum para cozinhar e deixar aquele extravirgem mais caro e gostoso para jogar por cima da salada ou finalizar o prato no prato mesmo. Assim você economiza dinheiro e mantém a saúde em dia sem neuras desnecessárias.

A tapioca não é essa santa que pintam por aí

Agora, vamos falar de um assunto que dói no coração de muita gente que começou a dieta agora. A tal da tapioca. Eu confesso que já caí nessa cilada de achar que trocar o pão francês pela tapioca era o passaporte para o manequim 36. Mas a verdade é bem diferente e eu estou aqui para ser sincera com você. A tapioca é basicamente amido puro. Ela tem um índice glicêmico lá no alto, o que significa que o seu açúcar no sangue sobe mais rápido do que elevador de prédio de luxo. Se você não vai correr uma maratona ou puxar ferro pesado na academia logo depois de comer, essa energia toda vai acabar virando estoque de gordura. O segredo para não abrir mão da sua igrejinha é colocar fibra na massa, como chia ou linhaça, e sempre usar um recheio com proteína, tipo ovo ou frango desfiado. Isso faz com que a digestão seja lenta e você não sinta fome dez minutos depois de comer.

Beber água comendo engorda ou é apenas conversa fiada

Sempre vejo as pessoas no restaurante sofrendo, com a garganta seca, porque acreditam que um copo de água durante o almoço vai criar uma barriga instantânea. Eu já estive nesse lugar de dúvida, mas a ciência é bem clara. Líquido não tem caloria, então não tem como ele te fazer engordar do nada. O problema de beber muito enquanto come é puramente digestivo. Imagine que seu estômago é um liquidificador batendo a comida com o suco gástrico. Se você joga um balde de água lá dentro, você dilui esse suco e a máquina não trabalha direito. Isso causa gases, estufamento e aquela sensação de que você comeu um boi quando, na verdade, só comeu um pratinho de salada. Se for beber, que seja um copinho pequeno e de preferência algo que não seja refrigerante ou suco cheio de açúcar.

O óleo de coco e a volta por cima dos alimentos naturais

Por fim, precisamos dar um descanso para o óleo de coco. Houve uma época em que ele era o herói, depois virou o vilão da saúde do coração, e agora estamos encontrando um equilíbrio. Eu sou uma jornalista que preza pela moderação e vejo que o óleo de coco tem sim benefícios incríveis, inclusive para a nossa imunidade e para ajudar a prevenir doenças chatas. Ele não é o monstro que alguns pintam, mas também não é para beber no gargalo. No fim das contas, o que eu aprendi nessa jornada de informação é que nenhum alimento sozinho vai te salvar ou te destruir. A saúde de verdade mora na variedade e no equilíbrio. Pare de procurar milagres em gotas de limão ou em colheres de óleo. O que funciona mesmo é comer de tudo um pouco, preferir o que vem da terra e se mexer sempre que puder. O resto é apenas marketing querendo vender facilidade onde só existe esforço e constância.

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Jornalista atuante desde 2019, com registro profissional no Ministério do Trabalho desde 2022, e experiência em produção de eventos desde 2016.